Atacar Estefane não resolve: falta de medicamentos no CAPS I expõe dever do poder público
Vídeo atribuído a pessoas ligadas à gestão Bruno Silva tenta rebater denúncia, mas ignora obrigação do SUS.

Após a denúncia feita pelo vereador Estefane da Internet sobre a falta de medicamentos no CAPS I de Coelho Neto, um vídeo passou a circular nas redes sociais com críticas direcionadas ao parlamentar.
Segundo relatos, o material teria sido produzido por pessoas ligadas à gestão do prefeito Bruno Silva. No conteúdo, os autores questionam o fato de o vereador cobrar medicamentos para sua própria mãe, alegando que, se tivesse condições, deveria arcar com os custos por conta própria.
O discurso, no entanto, levanta um ponto preocupante: a tentativa de transferir para o cidadão uma responsabilidade que, por lei, é do poder público.
A Constituição Federal é clara ao estabelecer que a saúde é direito de todos e dever do Estado.
Ou seja, quando um paciente procura o CAPS ou qualquer unidade do SUS, ele não está pedindo favor. Está exercendo um direito garantido.
A ideia de que “quem pode comprar, compra” fere diretamente o princípio da universalidade do SUS e cria um cenário de desigualdade, onde apenas quem tem condições financeiras teria acesso ao tratamento adequado.
Outro ponto que chama atenção é que o vídeo não apresenta respostas objetivas para as denúncias feitas, como a falta de medicamentos essenciais, incluindo Quetiapina e Depakene.
Em vez disso, o foco se volta para ataques pessoais ao vereador, desviando o debate do problema central: a ausência de medicamentos para pacientes que dependem do sistema público.
A situação levanta um questionamento inevitável: por que pacientes continuam sem acesso a medicamentos básicos, mesmo diante de contratos milionários e altos repasses à saúde?
Defender que um familiar deve assumir esse custo pode parecer uma solução individual, mas ignora a realidade da maioria da população, que depende exclusivamente do SUS para sobreviver.
O papel do vereador é justamente fiscalizar, cobrar e dar voz à população. Ao expor a situação, Estefane não fala apenas por sua mãe, mas por todos os pacientes que enfrentam a mesma dificuldade.
Até o momento, não houve posicionamento oficial da Secretaria Municipal de Saúde.
A resposta, quando aparece, surge de forma indireta, por meio de vídeos em redes sociais — o que reforça a necessidade de transparência e responsabilidade institucional.
A reportagem reforça que o espaço segue aberto para manifestação da Secretaria Municipal de Saúde, do secretário Samuel Bastos e da Prefeitura de Coelho Neto.
E a população continua esperando — não por ataques, mas por medicamentos.



