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MERCADINHO DE BAIRRO, LICITAÇÃO PÚBLICA E UMA DÚVIDA QUE OS DOCUMENTOS LEVANTAM

Empresa que disputou fornecimento de alimentos para a Prefeitura declarou faturamento anual de R$ 216 mil e estoque inferior a R$ 30 mil

Uma análise dos documentos apresentados no Pregão Eletrônico nº 002/2026 da Prefeitura de Coelho Neto revela um cenário que merece atenção da população e dos órgãos de fiscalização.

Edital da Licitação 02/2026

A licitação tem como objeto o registro de preços para fornecimento de gêneros alimentícios destinados ao abastecimento das secretarias municipais.

Ata da licitação 

Entre as participantes está a empresa A. E. L. de Sousa, conhecida comercialmente como Mercadinho Bom Preço, estabelecimento tradicional localizado em Coelho Neto-MA e que atua no comércio varejista de alimentos desde 2005.

Até aqui, nada fora da normalidade.

A questão surge quando se observam os números apresentados pela própria empresa à Administração Pública.

O que a empresa declarou?

Nos documentos anexados ao processo licitatório, a empresa informou que encerrou o exercício de 2024 com:

Receita bruta anual de R$ 216.838,32;

Estoque de R$ 29.841,50;

Patrimônio líquido de R$ 145.204,49.

Em 2023, os números também foram modestos:

Receita bruta anual de R$ 269.695,44;

Estoque de R$ 33.883,40;

Patrimônio líquido de R$ 166.809,47.

Os números revelam uma empresa de pequeno porte, enquadrada como microempresa, com movimentação financeira relativamente limitada quando comparada a oferta da licitação em questão.

A estrutura observada

Imagens públicas disponíveis na internet mostram o Mercadinho Bom Preço funcionando em um imóvel de porte reduzido no centro de Coelho Neto-MA.

A fachada demonstra a realidade de um comércio varejista de bairro, sem que sejam observadas externamente estruturas típicas de grandes distribuidoras ou centros logísticos.

Mas quando a estrutura visível é analisada em conjunto com os números declarados nos balanços, surgem questionamentos legítimos.

Os preços ofertados chamam atenção

Na disputa eletrônica, a empresa apresentou valores bastante reduzidos para produtos básicos.

Entre eles:

  • Açúcar refinado 1kg por R$ 2,11;
  • Arroz branco tipo 1 por R$ 2,07;
  • Arroz parboilizado por R$ 1,95;
  • Achocolatado 400g por R$ 2,51;
  • Amido de milho por R$ 2,36;
  • Alho in natura por R$ 12,98.

Os valores, por si só, não configuram qualquer irregularidade.

No entanto, reforçam a necessidade de acompanhamento da execução contratual, especialmente diante da diferença entre a dimensão econômica declarada pela empresa e o volume potencial de fornecimento que uma ata de registro de preços pode exigir.

A pergunta que permanece sem resposta

A dúvida central não é se a empresa pode participar de licitações.

A legislação garante a participação de microempresas e empresas de pequeno porte nas compras públicas.

O questionamento é outro:

Como uma empresa que declarou faturamento anual de pouco mais de R$ 216 mil e estoque inferior a R$ 30 mil consegue garantir o fornecimento contínuo de alimentos para atender a demanda das secretarias municipais caso seja convocada para grandes volumes de entrega?

Essa resposta cabe à própria empresa e também à Administração Municipal, responsável por verificar a capacidade econômico-financeira e operacional dos licitantes durante o processo de contratação. 

Transparência e fiscalização

Por envolver recursos públicos, a futura execução da ata deverá ser acompanhada pela sociedade.

A população tem o direito de saber:

  • Quais produtos serão efetivamente entregues;
  • Quais quantidades serão fornecidas;
  • Quais notas fiscais serão emitidas;
  • Quais pagamentos serão realizados;
  • E se os alimentos contratados chegarão aos seus destinos.

Mais importante que vencer uma licitação é demonstrar capacidade para cumprir aquilo que foi prometido.

E é justamente essa capacidade que os documentos apresentados pela própria empresa colocam em debate.

O Portal Coelho Neto 360 reafirma seu compromisso com o jornalismo responsável, a transparência e o direito ao contraditório. Diante das informações apresentadas nesta reportagem, o espaço permanece aberto para manifestações, esclarecimentos ou eventuais contestações por parte da empresa A. E. L. de Sousa (Mercadinho Bom Preço) e de seu representante legal.
As respostas poderão ser encaminhadas para o e-mail redacao@coelhoneto360.com.br e, caso recebidas, serão publicadas integralmente ou com os devidos destaques, em respeito ao direito de resposta e ao interesse público.

Reginaldo Machado

Reginaldo Machado editor-chefe e jornalista, registrado sob o DRT 0098880/SP. Atua com foco em jornalismo investigativo, análise política e fiscalização da gestão pública, sempre pautado pela ética, pela transparência e pelo compromisso com o interesse coletivo. É editor-chefe do portal de notícias Coelho Neto 360, onde lidera a produção de conteúdo informativo e opinativo, com abordagem crítica fundamentada na legislação e no direito à informação. Seu trabalho se destaca pela defesa do livre exercício do jornalismo e pela valorização do debate público responsável.

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