Prestadores denunciam até 4 meses sem receber, e van do TFD apresentada por Bruno Silva teria deixado serviço após cerca de 3 meses
Enquanto donos de vans relatam atrasos no transporte de pacientes, duas outras vans aparecem plotadas com identidade do grupo político do prefeito; CN360 cobra explicações da Prefeitura

O transporte de pacientes de Coelho Neto para outros municípios entrou no centro de uma série de questionamentos após denúncias recebidas pelo Portal Coelho Neto 360.
Um dos proprietários de vans que afirma prestar serviços para a Prefeitura procurou diretamente o portal e denunciou que existem prestadores acumulando três e até quatro meses de pagamentos atrasados.
Paralelamente, outra informação chama atenção: uma van que chegou a ser apresentada publicamente pelo próprio prefeito Bruno Silva como uma “van nova” do TFD teria permanecido aproximadamente três meses realizando o serviço e depois deixado as viagens.
E, em meio a esses relatos, duas outras vans apareceram recentemente nas redes sociais totalmente plotadas com a identidade visual do grupo político do prefeito.
São situações diferentes e o CN360, neste momento, não estabelece qualquer relação contratual ou financeira entre elas.
Mas o contraste exige explicações.
Alguns já estão com 4 meses de pagamentos atrasados
A denúncia mais recente partiu diretamente de um prestador.
Segundo ele, proprietários de vans que realizam serviços para a Prefeitura estão enfrentando dificuldades para receber.
Alguns já estão com 4 meses de pagamentos atrasados, outros 3 meses. Uma humilhação.
Mesmo sem os pagamentos, segundo o denunciante, continuam chegando normalmente as despesas necessárias para colocar os veículos na estrada.
Manutenção, pneus, peças, documentação e demais custos precisam ser pagos.
Temos famílias para sustentar e compromissos que não podem esperar.
O prestador afirma ainda que não está pedindo nenhum benefício, mas o pagamento correspondente aos serviços que diz já terem sido realizados.
O que queremos é uma resposta e uma solução. Estamos trabalhando e precisamos receber pelo serviço que foi prestado.
A fonte pediu ao CN360 que desse voz aos proprietários e cobrasse uma resposta da administração municipal.
O portal preserva sua identidade.
O CN360 ainda busca documentos administrativos e financeiros que permitam confirmar individualmente os meses, valores e prestadores eventualmente afetados pelos atrasos. Portanto, os períodos de três e quatro meses são apresentados nesta reportagem como denúncia dos prestadores.
Relatos apontam cinco vans no transporte
Informações recebidas pelo CN360 indicam que seriam aproximadamente cinco vans realizando deslocamentos de pessoas para cidades como Caxias, Teresina e São Luís, entre outros destinos.
É justamente entre esses prestadores que surgiram os relatos de atraso.
A Prefeitura precisa informar oficialmente quantas vans estão atualmente vinculadas ao serviço, quais são os respectivos contratos, quem são os prestadores e como está a situação financeira de cada contratação.
E aquela “van nova” do TFD apresentada pelo prefeito?
Existe ainda outro episódio que merece esclarecimento.
O CN360 possui um vídeo no qual o próprio prefeito Bruno Silva aborda uma van utilizada no transporte de pacientes.
Na gravação, Bruno Silva apresenta o veículo dizendo:
Estávamos indo para zona rural e encontrei esse nosso veículo do TFD, uma van nova, e estamos aqui com nossa equipe de enfermagem, que acompanha os nossos pacientes.
Não se trata, portanto, de uma informação atribuída a terceiros.
Está registrado em vídeo que o próprio prefeito apresentou publicamente aquele veículo como “nosso veículo do TFD” e como uma “van nova”.
Agora surge uma informação diferente sobre o destino daquele veículo.
Segundo relato recebido pelo CN360 de pessoa ligada à prestação do serviço de transporte, aquela van teria permanecido aproximadamente três meses realizando viagens para o Município e posteriormente deixado o serviço.
A fonte atribui a saída a problemas relacionados a pagamento.
Essa segunda parte, diferentemente da declaração do prefeito registrada em vídeo, ainda depende de comprovação documental.
Afinal, o que aconteceu com a van?
Se o próprio prefeito apresentou o veículo à população como uma nova van do TFD, algumas perguntas precisam ser respondidas.
- A van era patrimônio da Prefeitura ou um veículo particular contratado?
- Se era alugada, quem era o proprietário ou a empresa responsável?
- Qual era o número e o valor do contrato?
- Quando começou a prestação do serviço?
- Durante quantos meses o veículo efetivamente realizou o transporte de pacientes?
- Quando deixou de realizar as viagens?
- Por qual motivo saiu?
- Existiam pagamentos pendentes quando o serviço foi interrompido?
- E, atualmente, qual veículo substituiu aquela “van nova” apresentada pelo prefeito?
São informações administrativas que podem esclarecer definitivamente a situação.
Enquanto isso, duas vans aparecem plotadas com o grupo político
O episódio ganha ainda mais repercussão após duas outras vans aparecerem recentemente nas redes sociais caracterizadas com a identidade visual do grupo político de Bruno Silva.
Os veículos exibem mensagens como “Time do Trabalho” e “Juntos por Coelho Neto”, acompanhadas de comunicação política.
O CN360 consultou os dados dos dois veículos.
Uma delas é uma Mercedes-Benz Sprinter, placa LMY0I65, ano/modelo 2019, registrada como micro-ônibus para 16 passageiros. Segundo os dados consultados pelo portal, o proprietário registrado é Enildo Torres da Silva de Duque Bacelar-MA.

A outra é uma Renault Master, placa SHZ0F81, fabricação 2023/modelo 2024, também registrada como micro-ônibus para 16 passageiros. Segundo a consulta o proprietário é registrado é Marcio Josuino da Silva de São Caitano-PE.

Portanto, os veículos consultados não aparecem registrados em nome de Bruno Silva nem da Prefeitura Municipal de Coelho Neto.
O contraste que chama atenção
É justamente por serem situações distintas que o cenário provoca questionamentos.
De um lado, duas vans aparecem nas redes sociais completamente caracterizadas com a identidade do grupo político do prefeito.
Do outro, proprietários que afirmam efetivamente prestar serviços de transporte para a Prefeitura procuram o CN360 denunciando três e até quatro meses sem receber.
E entre as duas situações existe ainda uma terceira pergunta:
onde está a “van nova” do TFD que o próprio prefeito apresentou à população?
Segundo uma fonte ligada ao serviço, ela teria permanecido aproximadamente três meses e depois deixado as viagens.
Se a informação estiver incorreta, a Prefeitura tem a oportunidade de apresentar os documentos e esclarecer quanto tempo o veículo permaneceu contratado e por que eventualmente deixou o serviço.
Prefeitura precisa responder
Diante dos relatos recebidos, o Portal Coelho Neto 360 cobra esclarecimentos objetivos da administração municipal:
- Quantas vans atualmente realizam transporte de pacientes para outros municípios?
- Quem são os prestadores contratados e quais veículos estão vinculados ao serviço?
- Existem pagamentos atrasados aos proprietários?
- Caso existam, quais competências estão pendentes e qual o valor total devido?
- Qual a previsão para regularização dos pagamentos?
- Qual era a situação contratual da van apresentada por Bruno Silva como “nosso veículo do TFD”?
- Por quanto tempo aquele veículo prestou serviço e por que deixou de realizar as viagens?
- Havia valores pendentes quando a van deixou o serviço?
- Qual veículo passou a atender os pacientes em sua substituição?
CN360 seguirá buscando documentos
O Portal Coelho Neto 360 buscará contratos, empenhos, liquidações e pagamentos relacionados ao transporte para confrontar os relatos recebidos com os registros oficiais.
A denúncia de atraso precisa ser esclarecida.
O destino da van apresentada publicamente pelo prefeito também.
E a Prefeitura tem espaço aberto para apresentar sua versão e os documentos que considerar necessários.
Caso os registros oficiais demonstrem que os pagamentos estão regularizados ou que a van permaneceu no serviço por período diferente daquele relatado pelas fontes, o CN360 publicará os esclarecimentos com o mesmo destaque.
Fiscalizar não é condenar antecipadamente. É perguntar, buscar documentos e confrontar aquilo que é divulgado com aquilo que efetivamente é entregue à população.
Se havia uma “van nova” do TFD apresentada pelo próprio prefeito, onde ela está hoje? E se prestadores continuam trabalhando, por que denunciam três e até quatro meses sem receber?
São perguntas que a população de Coelho Neto merece ver respondidas.



