Prefeito é novamente investigado pelo MPMA; agora, no caso do Minha Casa, Minha Vida
Inquérito Civil apura possíveis irregularidades envolvendo 50 casas de programa habitacional do Governo Federal em Coelho Neto

O prefeito de Coelho Neto, Bruno José Almeida e Silva, o Bruno Silva, voltou a ser alvo de investigação do Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA). Desta vez, o caso envolve as 50 unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida, iniciativa do Governo Federal destinada à construção de moradias para famílias em situação de vulnerabilidade.
A investigação foi formalizada por meio da Portaria nº 28/2026 – 1ª PJCON, assinada eletronicamente pela promotora de Justiça Elisete Pereira dos Santos, em 21 de agosto de 2026, e publicada no Diário Eletrônico do MPMA em 26 de agosto.
O procedimento recebeu o número SIMP nº 003304-509/2026.
Segundo a portaria, o Ministério Público determinou a conversão de uma Notícia de Fato em Inquérito Civil, com o objetivo de apurar possíveis irregularidades relacionadas ao empreendimento habitacional.
E o objeto da investigação é amplo.
O MPMA cita a necessidade de apurar possível ocorrência de ato de improbidade administrativa, além de eventual prejuízo decorrente de supostas irregularidades, omissão administrativa e possível perda de recursos federais destinados à habitação.
50 casas e contrato de mais de R$ 6 milhões
O procedimento envolve o Contrato nº 208/2026, referente à construção das 50 unidades habitacionais em Coelho Neto.
De acordo com a portaria do MPMA, o contrato possui valor global de R$ 6.042.430,50.
Isso representa aproximadamente R$ 120,8 mil por unidade habitacional.
A Promotoria determinou que sejam fiscalizados aspectos relacionados à licitação, aos custos, à adequação orçamentária, à execução do contrato e à transparência na seleção dos beneficiários.
Portanto, a investigação não se limita à construção das casas.
O Ministério Público também quer saber como as famílias foram selecionadas para receber as unidades habitacionais.
Bruno Silva é incluído no polo passivo
Um dos pontos de maior relevância da portaria é a determinação para que o prefeito Bruno José Almeida e Silva seja formalmente incluído no polo passivo do Inquérito Civil.
A empresa Engemaximus Empreendimentos e Construção LTDA também foi incluída no procedimento.
A medida não representa, por si só, condenação ou comprovação de responsabilidade. O Inquérito Civil é justamente o instrumento utilizado pelo Ministério Público para investigar os fatos, reunir provas e identificar eventuais responsabilidades.
Beneficiários já estavam cadastrados?
O novo Inquérito Civil também se conecta a uma investigação que já havia sido levantada pelo Portal Coelho Neto 360.
Em documento oficial assinado em agosto de 2025, a Prefeitura de Coelho Neto declarou que os cadastros dos beneficiários já haviam sido concluídos.
O documento também afirma que os dados das famílias foram cadastrados ou atualizados no CadÚnico e que eventuais pendências haviam sido regularizadas.
A declaração ainda menciona a existência de “beneficiários listados abaixo”, porém a relação nominal não consta no documento analisado pelo Portal.
Foi justamente essa situação que levantou questionamentos sobre a forma como as famílias foram escolhidas.
Agora, a própria portaria do Ministério Público determina que a transparência na seleção dos beneficiários seja objeto da investigação.
Como foram escolhidas as famílias?
A pergunta ganha ainda mais importância diante do novo procedimento instaurado pelo MPMA.
A investigação deverá esclarecer, entre outros pontos:
- quais critérios foram utilizados para selecionar as famílias;
- se houve ampla publicidade do processo;
- se houve edital ou outro instrumento de chamamento;
- quem participou da análise dos cadastros;
- se existiu comissão responsável pela seleção;
- quais famílias foram classificadas;
- quem são os beneficiários e suplentes;
- e se os procedimentos adotados pela Prefeitura estão de acordo com as regras do programa habitacional.
A questão é especialmente relevante porque se trata de recursos públicos federais destinados à habitação popular.
Ministério Público também questiona licitação e custos
Além da seleção dos beneficiários, o MPMA determinou que sejam analisadas a regularidade da licitação e os custos do empreendimento.
A Promotoria também deverá verificar a adequação orçamentária e a transparência na execução do contrato.
Ou seja, o Inquérito Civil deverá analisar o caso sob diferentes aspectos: contratação, dinheiro público, execução e escolha dos beneficiários.
Outro empreendimento habitacional também aparece na investigação
A portaria do MPMA não trata apenas das 50 casas.
O documento também menciona o Residencial Fátima Almeida I, empreendimento com 100 unidades habitacionais, apontando elementos relacionados à possível caducidade ou cancelamento da seleção e a um potencial prejuízo decorrente da perda de recursos públicos habitacionais.
A Promotoria determinou a apuração dos fatos e a individualização de eventuais responsabilidades.
Portal Coelho Neto 360 já havia levado questionamentos ao MPMA
Antes da instauração do Inquérito Civil, o Portal Coelho Neto 360 havia protocolado manifestação na Ouvidoria do Ministério Público questionando justamente a transparência na seleção dos beneficiários das 50 casas.
A manifestação recebeu o Protocolo nº 61896072026.
Na ocasião, foram questionados pontos como a ausência de edital público, os critérios utilizados para seleção das famílias e a falta de divulgação da relação dos contemplados.
Agora, o caso avançou.
O Ministério Público transformou a apuração em Inquérito Civil, ampliando o objeto para investigar também licitação, custos, execução contratual, recursos públicos e possíveis responsabilidades.
O que está sob investigação?
De acordo com a portaria, o MPMA pretende apurar:
• possível ato de improbidade administrativa;
• eventual omissão administrativa;
• possível perda de recursos federais destinados à habitação;
• regularidade da licitação;
• custos da construção das 50 unidades;
• adequação orçamentária;
• transparência na execução do contrato;
• transparência na seleção dos beneficiários;
• eventual responsabilidade dos envolvidos.
O caso agora está oficialmente nas mãos do MPMA
A documentação mostra que o caso deixou de ser apenas uma dúvida levantada publicamente sobre a seleção das famílias.
Existe agora um Inquérito Civil formalmente instaurado pelo Ministério Público, com o prefeito Bruno Silva incluído no polo passivo e com determinação expressa para apurar a regularidade do empreendimento.
O valor do contrato, a origem dos recursos, a licitação, a execução das obras e a escolha das famílias estarão sob análise.
E permanece uma das principais perguntas que motivaram toda essa discussão:
Quem são os 50 beneficiários escolhidos para receber as casas — e quais critérios foram utilizados para selecioná-los?
O Portal Coelho Neto 360 continuará acompanhando o Inquérito Civil SIMP nº 003304-509/2026 e todos os seus desdobramentos.

ESPAÇO PARA DEFESA
A instauração do Inquérito Civil não representa condenação ou conclusão de que tenha ocorrido irregularidade. Os fatos ainda serão apurados pelo Ministério Público.
O Portal Coelho Neto 360 mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Coelho Neto, do prefeito Bruno Silva e da empresa Engemaximus Empreendimentos e Construção LTDA, citados no procedimento, para que apresentem seus esclarecimentos e versões sobre os fatos.



