Festa de R$ 1,5 milhão versus salas de “cubículo” e relento na Zona Rural de Coelho Neto.
Enquanto os palcos ganham luzes e grandes estruturas na cidade, o futuro dos jovens da Zona Rural é improvisado à sombra do esquecimento.
COELHO NETO – O contraste entre o marketing político e a realidade vivida pela população da Zona Rural de Coelho Neto nunca esteve tão evidente. Enquanto a administração municipal se prepara para desembolsar quase R$ 1,5 milhão em eventos festivos, uma clara tentativa de autopromoção e distração popular, o ano letivo de centenas de jovens está sendo negligenciado em estruturas improvisadas, perigosas e humilhantes.
O caso mais alarmante vem do Povoado Taboca dos Bois. Em 24 de outubro de 2025, o prefeito usou suas redes sociais para anunciar, com entusiasmo, que a Escola Santa Rosa já estava em processo de reforma. Na época, o gestor chegou a cravar o número de 37 escolas reformadas em sua gestão. No entanto, hoje, 7 de julho de 2026, quase nove meses depois, a realidade desmente a propaganda: a obra segue em passos lentos, sem nenhum planejamento, evidenciando que o município não conseguiu entregar nem metade do que foi prometido.
Cansados de esperar e de estudar em condições subumanas, os próprios alunos resolveram quebrar o silêncio. Através de vídeos gravados nos locais improvisados, os estudantes expuseram o cenário caótico a que são submetidos diariamente.
Do “Cubículo” ao Relento: O Raio-X do Descaso
Sem a escola principal, os alunos foram divididos e realocados em espaços totalmente inadequados para o aprendizado.
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Aulas em cômodo doméstico: Em um dos pontos de improviso, as imagens mostram alunos espremidos em um verdadeiro cubículo. Sem estrutura básica, a lousa precisa ficar apoiado sobre cadeiras. A iluminação é precária, os livros didáticos estão amontoados e o único alento contra o calor é um ventilador velho, gambiarrado e amarrado com borrachas. Para piorar a rotina de quem passa o dia no local, os estudantes denunciaram a repetitividade da merenda escolar: “Todo dia é calabresa”, desabafou um dos jovens.
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O famoso “Pestana”: Outro grupo de estudantes foi transferido para o tradicional “pestana”, estudando praticamente em campo aberto e expostos ao sol, poeira e vento. Ali, o quadro fica quase no chão.
Eu já caí várias vezes dessa cadeira”, relata um aluno em vídeo, apontando para o mobiliário quebrado e tomado pela ferrugem , um risco iminente de acidentes e infecções para os adolescentes.
Risco à Saúde Pública
A negligência da gestão municipal não se limita à falta de ventilação adequada ou de carteiras escolares inteiras. Na área externa da “pestana”, os alunos registraram imagens que acendem o alerta para a saúde pública: uma garrafa pet improvisada sobre um toco de madeira serve como suporte de água para consumo, enquanto a poucos metros dali, um foco de água parada acumula-se a céu aberto, servindo como potencial criatório para o mosquito transmissor da dengue.
O Abandono da Zona Rural
A situação da Escola Santa Rosa é o retrato fiel do abandono da Zona Rural de Coelho Neto. A prioridade da gestão parece invertida: prioriza-se o milhão investido no palco e nas luzes dos shows, enquanto falta o básico, lâmpadas, ventiladores, merenda variada e cimento, para garantir o futuro dos jovens coelhonetenses.
O portal Coelho Neto 360 continuará acompanhando o caso e deixa o espaço aberto para que a Secretaria Municipal de Educação e o prefeito se manifestem sobre o atraso das obras e as condições das instalações provisórias.




