“SEM PRAÇA, SEM VOTO”: protesto durante caminhada de Bruno Silva termina em denúncia de agressão contra mulher e menor no Bairro Sarney
Moradores cobravam promessa de praça com um simples cartaz quando, segundo denúncia, apoiadores do prefeito tentaram retirar o material e a confusão terminou em agressões; nota jurídica anuncia representação ao MPMA, MPE, TRE-MA e Corregedoria da PM

O que deveria ser apenas uma manifestação pacífica com quatro palavras — “Sem praça, sem voto” — terminou em uma grave denúncia de agressão envolvendo uma mulher e um menor de idade durante uma caminhada política realizada nesta quarta-feira (16), no Bairro Sarney, em Coelho Neto.
O prefeito Bruno Silva participava de uma caminhada para apresentar e promover os candidatos que apoia quando moradores decidiram aproveitar a passagem do grupo para cobrar uma antiga reivindicação do bairro: a construção de uma praça.
A manifestação consistia em um cartaz com a frase “Sem praça, sem voto”.
Segundo os relatos dos denunciantes e uma nota de repúdio divulgada pela TJ Consultoria & Assessoria Jurídica, o protesto pacífico acabou em confusão depois que apoiadores do prefeito teriam tentado retirar o cartaz das mãos da esposa de Mateus Miranda.
De um cartaz a uma denúncia de agressão
De acordo com a nota jurídica, apoiadores de Bruno Silva teriam rasgado o material e, durante a confusão, a esposa de Mateus teria sido agredida. O documento afirma ainda que um menor de idade teria sido atingido por um soco.
As acusações são graves e deverão agora ser submetidas às autoridades competentes, responsáveis por apurar individualmente a participação de cada pessoa envolvida.
O episódio chama atenção justamente pela origem da confusão: moradores estavam exercendo o direito de protestar e cobrar do poder público uma melhoria para o próprio bairro.
“Sem praça, sem voto” não é ameaça, agressão ou ato de violência. Trata-se de uma manifestação política de insatisfação, protegida, em princípio, pelas liberdades de expressão e manifestação asseguradas pela Constituição.
Secretário de Segurança estava na caminhada
Outro ponto que deverá ser esclarecido é a presença do secretário municipal de Segurança Pública e Mobilidade Urbana, Klauberth Romulo Albino de Lima, conhecido como Albino.
Segundo os denunciantes, Albino estava no local durante a confusão e não teria adotado providências diante das agressões relatadas. Os manifestantes afirmam ainda que o secretário teria atribuído a responsabilidade pelo tumulto aos próprios participantes do protesto.
Essas afirmações constituem a versão apresentada pelos denunciantes e precisam ser confrontadas com a manifestação do secretário e com eventuais imagens e testemunhos do episódio.
A presença do titular da Segurança Pública municipal torna especialmente importante esclarecer o que ele presenciou, em qual momento tomou conhecimento das supostas agressões e quais providências foram adotadas.
Jurídico anuncia representações
Na nota de repúdio divulgada após o episódio, a TJ Consultoria & Assessoria Jurídica afirma que pretende formalizar representações perante a Corregedoria da Polícia Militar, Ministério Público do Maranhão (MPMA) e Ouvidoria de Segurança Pública.
O escritório também informa que pretende levar o caso ao Ministério Público Eleitoral (MPE) e ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA).
A nota faz ainda acusações relacionadas à atuação das forças de segurança presentes no local. Essas alegações deverão ser analisadas pelos órgãos competentes, não sendo possível, neste momento, afirmar a ocorrência dos crimes mencionados pelo escritório sem a conclusão das respectivas apurações.

Servidores em caminhada também entram no radar
A nota jurídica levanta outro ponto que pode ampliar a repercussão do episódio: denúncias sobre a participação de servidores públicos em atividades políticas durante o horário de expediente, sobretudo profissionais vinculados à Educação.
O escritório solicita que moradores encaminhem fotos e vídeos que possam identificar servidores, seus cargos e locais de trabalho para subsidiar eventuais medidas judiciais.
A legislação eleitoral estabelece restrições ao uso de servidores públicos em atividades de campanha durante o horário normal de expediente, ressalvadas as hipóteses previstas em lei. A eventual existência de irregularidade depende, porém, da situação funcional de cada pessoa, do horário e das circunstâncias concretas.
Uma cobrança simples que terminou em caso para as autoridades
Independentemente das disputas políticas existentes em Coelho Neto, o episódio deixa uma questão central: um cidadão pode cobrar uma obra pública e manifestar que seu voto depende da resposta que recebe dos governantes.
Praça, pavimentação, saúde, educação, segurança ou qualquer outro serviço público podem ser objeto de cobrança da população. O apoio a determinado candidato ou grupo político não retira de outros moradores o direito de discordar e protestar pacificamente.
Agora, caberá às autoridades esclarecer exatamente o que ocorreu no Bairro Sarney, identificar eventuais responsáveis pelas agressões denunciadas e verificar a atuação dos agentes públicos que estavam presentes.
Espaço para manifestação
O Portal Coelho Neto 360 ressalta que as agressões descritas nesta reportagem são objeto de denúncia e ainda precisam ser apuradas pelas autoridades.
O espaço permanece aberto para manifestação do prefeito Bruno Silva, do secretário Albino, das pessoas apontadas como apoiadores envolvidos no episódio, da Prefeitura de Coelho Neto e dos órgãos de segurança mencionados na nota.
Caso sejam apresentadas novas informações, imagens, documentos ou versões sobre os acontecimentos, esta reportagem poderá ser atualizada.



