BOMBA: gestão Bruno Silva, IDG e contratos de 4 secretarias entram no radar de investigação do MPMA
Mais de R$ 43,4 milhões foram pagos ao IDG entre 2023 e 2025; MPMA agora aprofunda investigação sobre os contratos.

Uma investigação do Ministério Público do Maranhão coloca sob a lupa uma relação milionária entre a Prefeitura de Coelho Neto e o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG).
A Portaria de Instauração nº 14/2026, da 1ª Promotoria de Justiça de Coelho Neto, determina a abertura de Inquérito Civil para aprofundar a apuração sobre gastos com pessoal, admissões de servidores, pagamento de horas extras e contratações realizadas pelo Município — entre elas, as celebradas com o IDG.
E o tamanho financeiro dessa relação chama atenção.
Levantamento realizado pelo Portal Coelho Neto 360 no Portal da Transparência aponta que o Instituto de Desenvolvimento e Gestão recebeu R$ 43.446.372,42 da Prefeitura de Coelho Neto entre 2023 e 2025.

Mais de R$ 43 milhões pagos
As consultas foram realizadas utilizando o próprio IDG como credor e considerando todas as unidades gestoras.
Os pagamentos encontrados foram:
2023: R$ 12.355.264,68
2024: R$ 28.669.544,58
2025: R$ 2.421.563,16
Total: R$ 43.446.372,42.
Somente em 2024, portanto, os pagamentos registrados em favor do instituto chegaram a quase R$ 28,7 milhões.
O que o Ministério Público está investigando?
A portaria apresenta um quadro que vai além dos contratos do IDG.
Segundo o documento, elementos encaminhados pelo Ministério Público de Contas do Maranhão indicaram que o Poder Executivo de Coelho Neto teria ultrapassado o limite prudencial de gastos com pessoal, realizado mais de 1.000 admissões e efetuado pagamento indevido de horas extras no exercício de 2023.
Diante disso, o Ministério Público entendeu ser necessário aprofundar a investigação.
E é justamente nesse ponto que aparece expressamente o IDG.
A Promotoria registra a necessidade de avaliar as contratações realizadas pelo Município, “notadamente com a empresa IDG”, além de apurar eventual responsabilidade dos agentes públicos envolvidos.
Quatro contratos milionários
Documentos analisados pelo Coelho Neto 360 mostram que pelo menos quatro contratos foram celebrados com o IDG a partir do mesmo procedimento licitatório: o Pregão Eletrônico nº 012/2023 e a Ata de Registro de Preços nº 053/2023.
São eles:
Contrato nº 253/2023 — Gestão e Orçamento;
Contrato nº 254/2023 — Educação;
Contrato nº 255/2023 — Saúde;
Contrato nº 256/2023 — Assistência Social.
Os contratos envolviam a disponibilização de trabalhadores para diferentes setores da administração municipal.
Na Educação, por exemplo, o contrato previa centenas de postos de trabalho. Na Saúde, estavam previstas categorias como técnicos de enfermagem, enfermeiros, vigilantes, recepcionistas e motoristas.
Todos foram rescindidos no mesmo dia
Outro fato chama atenção: os quatro contratos foram rescindidos amigavelmente com efeitos a partir de 2 de janeiro de 2025.
A justificativa apresentada pelo IDG nos termos de rescisão foi o aumento significativo dos custos operacionais.
A empresa mencionou despesas com materiais, mão de obra, transporte e outras variáveis e afirmou que a continuidade dos serviços nas condições anteriormente estabelecidas havia se tornado financeiramente inviável.
E por que existem pagamentos em 2025?
Mesmo com as rescisões produzindo efeitos a partir de 2 de janeiro de 2025, a consulta ao Portal da Transparência encontrou R$ 2.421.563,16 em pagamentos ao IDG durante o exercício de 2025.
Isso, sozinho, não significa que serviços tenham sido executados depois da rescisão e tampouco comprova qualquer irregularidade.
Os próprios termos de rescisão admitem a existência de obrigações financeiras referentes a pendências normais da execução dos contratos até a data do encerramento.
Por isso, uma das questões que a documentação deixa em aberto é saber a quais competências, notas fiscais, medições e serviços correspondem os R$ 2,42 milhões pagos em 2025.
MP quer aprofundar a investigação
Na portaria, o Ministério Público afirma ser necessário colher elementos sobre a extensão dos fatos, avaliar a responsabilidade dos agentes públicos envolvidos e examinar as contratações celebradas pelo Município.
O Inquérito Civil deverá apurar possíveis atos de improbidade administrativa relacionados, entre outros pontos, à extrapolação dos gastos com pessoal, admissões irregulares, horas extras e contratações realizadas pela Prefeitura, incluindo o IDG.
A instauração do Inquérito Civil não significa que o Ministério Público já tenha concluído pela existência de improbidade ou de qualquer outra irregularidade. O procedimento serve justamente para aprofundar a investigação, reunir documentos e verificar se os fatos apontados possuem fundamento.
A pergunta de R$ 43 milhões
Agora, documentos que antes estavam espalhados começam a formar um quadro maior.
São quatro contratos ligados ao mesmo procedimento licitatório, serviços envolvendo centenas de postos de trabalho, rescisões ocorridas simultaneamente e mais de R$ 43,4 milhões em pagamentos registrados em favor do IDG entre 2023 e 2025.
E justamente essa relação contratual agora aparece entre os pontos que deverão ser aprofundados pelo Ministério Público.
O Portal Coelho Neto 360 continuará acompanhando o Inquérito Civil e levantando documentos, notas fiscais, pagamentos e demais informações relacionadas aos contratos.






